segunda-feira, maio 30, 2005

Passeata do Orgulho Gay


Como ontem foi o dia da passeata pelo orgulho gay em São Paulo, resolvi postar uma menção ao evento. Motivos:

1) Se os gays querem casar, que casem. Todos devem ter o direito de fazer o que quiser da sua vida.
2) Digamos que os gays assumidos merecem nossa admiração e respeito. Porque não deve ser fácil!
3) Eu tenho vontade de ir a passeata. Pensem como deve ser divertido. E como eu não tenho síndrome de parecer gay (para entender melhor da patologia, leiam o texto abaixo), iria numa boa. Quem é bem resolvido não tem essas síndromes.
Posted by Hello

Medo de Parecer Gay?

Muito boa essa reportagem do fantástico sobre o medo que o homens tem de pensarem que eles são gays. Para mim é tudo muito claro: quem não é bem resolvido com a sexualidade é que tem essas síndromes, ou pior tem a síndrome invertida, fica dizendo que todo mundo é gay. Tenha dó. Sai do armário e pronto!
 
Essas pessoas com a síndrome só perdem, porque desperdiçam a oportunidade de ter amizades verdadeiras com outros homens e pior passam a vida preocupados com os outros em vez de viver suas próprias experiências.
 
Medo de Parcer Gay
Fantástico - 29/05/2005
Acredite, eles existem: homens que evitam circular com amigos porque têm medo de serem considerados gays. A “síndrome” foi confirmada por uma pesquisa.
 
Uma pergunta exclusiva para os homens. O que você faria se, um dia, um amigo chegasse, e fizesse o seguinte convite: “Quer passar uma semana em Campos do Jordão?”, conta o empresário Daniel Israel.
 
Campos de Jordão fica a duas horas de São Paulo e é um lugar que, tradicionalmente, os casais escolhem para passar a lua de mel. Você, no lugar de Daniel, aceitaria o convite do amigo?
 
“Eu não aceitaria de jeito nenhum. Romântico demais para você passar com um amigo seu”, responde o engenheiro Pedro Porto. “Amiga eu iria. Agora, amigo não”, afirma o físico Fernando Di Simoni.
 
Daqui a pouquinho a gente conta se Daniel aceitou ou não o convite do amigo. Antes disso, veja o que revelou uma pesquisa publicada em um jornal americano.
 
A pesquisa entrevistou 40 homens, entre 20 e 50 anos, em todos os estados americanos. A grande maioria, 30 deles, reconheceu sofrer da “síndrome homossexual”, ou seja, uma espécie de pânico de ser confundidos com gay.
 
Será que Daniel, que recebeu o convite do amigo para passar uns dias em uma estância turística, sofre desse mal? Só vendo como ele reagiu.
 
“Campos do Jordão? Como é que é isso? Aí ele explicou: ‘Eu tenho um hotel que eu preciso usar, porque eu entrei em um desses clubes, eu tenho que usar até a semana que vem e minha mulher não vai poder ir. Vamos a gente”, esclarece Daniel.
 
“A gente foi de carro. O hotel era isolado, com lareira. Bem romântico. Quando entrávamos em um restaurante, em um bar, a gente via que o pessoal olhava assim meio esquisito, pensando que a gente era um casal”, conta o empresário.
Segundo a pesquisa, o medo de parecer gay nem sempre é percebido pelos homens. Ele estaria no inconsciente masculino e se manifesta através de algumas regras de comportamento.
 
REGRA 1 - Ir ao bar com o amigo pode. Mas jantar a dois, só se for com mulher.
REGRA 2 - E na hora de pedir um drink, dois homens tomando cerveja pode ser, claro! Mas tomando vinho, não.
 
“Eu nunca dividiria uma garrafa de vinho com um amigo, só nós dois na mesa”, decreta o bancário Norberto dos Santos.
 
Peter e Edílson não se importam. “Somos bons amigos”, afirma Edílson. “Quem tem preconceito em relação a isso está desatualizado, no mínimo”, completa.
 
Se bater vontade de ir ao cinema em dupla com outro homem, filme romântico, nem pensar. Pode ser um de ficção ou de violência. “Não é divertido você ver um filme romântico com um amigo. É divertido você ver um filme romântico com alguém que você está tendo um romance”, comenta um jovem.
 
E mesmo assim, para não ter erro, nada de sentar coladinho. Tem que ter uma poltrona vazia no meio. “Se não é gay, então não é. Não tem que ter paranóia”, orienta outro jovem.
 
Onde será que começa esse medo de parecer gay? Daniel, então, foi convidado para uma brincadeira: ligar para os amigos enquanto a equipe de reportagem do Fantástico grava a conversa no telefone, para saber como eles reagem.
 
“Estava pensando em ir ao cinema mais tarde, você está a fim?”, convida Daniel. “Hum, hoje não dá, porque eu marquei de ir jantar com o meu pai”, responde o amigo. “E amanhã?”, insiste Daniel. “Deixa eu ver... Amanhã eu marquei de sair com uma menina”, dispensou o amigo.
 
“Estava pensando em ver um filme mais tarde, tomar um chope, o que você acha? Só a gente”, pergunta Daniel a outro amigo. “Bom você não mudou de time não, né?”, questiona o amigo. “Como assim cara? Te chamo pra ir ao cinema, tomar chope...”, rebate Daniel.“Então tá bom, vamos falar de futebol, aí então tá bom”, responde o amigo.
 
Os antropólogos americanos ouvidos na pesquisa dizem que os homens que sofrem da “síndrome gay” perdem a oportunidade de dividir com os amigos as suas intimidades, de terem amizades mais profundas.
 
Por que é importante um homem ter uma relação íntima, de amizade, com outro homem? “Porque ele está desenvolvendo melhor a sua afetividade, de modo mais completo, mais pleno. Senão a afetividade fica restrita a vida familiar”, avalia a socióloga Andréa Brandão Pupin. “É uma bobagem, um preconceito contra o homossexualismo que vigora em nossa sociedade”, encerra a questão a socióloga.

domingo, maio 29, 2005

Rapsódia em Agosto (1991)


Este filme é muito bom. O filme mais representativo sobre a Segunda Guerra que já vi, sob uma perspectiva que contrapõe as visões dos americanos e dos japoneses sobre o terror que ocorreu em Nagaski e Hiroshima, mostrando o outro lado da história que nós ocidentais pouco sabemos, mas essencialmente é um filme sobre pessoas, e é neste sentido que se aproxima os dois povos.

Lançado em 1991, Rapsódia em Agosto foi um trabalho de Akira Kurosawa que acabou servindo como reconciliador entre o cineasta e o público e crítica japoneses.
Kurosawa toca em uma ferida antiga: o trauma intransponível do ataque nuclear norte-americano os cidades de Nagasaki e Hiroshima, em agosto de 1945.
O diretor apresenta uma reflexão sobre o choque entre o presente e o passado, representado por uma sobrevivente de Nagasaki, que é convidada por parentes americanos a fazer uma viagem ao Havaí.
Enquanto ela vê o convite como uma recordação de toda a desgraça que viu e passou, seus netos ficam eufóricos. Como acontece aqui no Brasil também, os garotos se "fantasiam" com roupas dos EUA, só querem saber da cultura americana, entre outras coisas.
Para mostrar seu repúdio pela violência inata do ser humano, Kurosawa abusa das metáforas. Rapsódia em Agosto, sem a menor dúvida, é um dos filmes mais sensíveis e tocantes sobre a segunda Guerra Mundial.
Sem ser falsamente cult, eu recomendo que você caro único leitor amigo assita aos filmes do Kurosawa, uns dos cineastas mais sensíveis do século XX.
Posted by Hello

¿Quién Muere?

Pablo Neruda

Muere lentamente quien se transforma en esclavo del hábito, repitiendo todos los días los mismos trayectos,
quien no cambia de marca, no arriesga vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente quien evita una pasión, quien prefiere el negro sobre blanco y los puntos sobre las "íes" a un remolino de emociones, justamente las que rescatan el brillo de los ojos,sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo, quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño, quien no se permite por lo menos una vez en la vida, huir de los consejos sensatos.
Muere lentamente quien no viaja, quien no lee, quien no oye música, quien no encuentra gracia en si mismo.
Muere lentamente quien destruye su amor propio, quien no se deja ayudar.
Muere lentamente, quien pasa los días quejándose de su mala suerte o de la lluvia incesante.
Muere lentamente, quien abandona un proyecto antes de iniciarlo, no preguntando de un asunto que desconoce o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.
Evitemos la muerte en suaves cuotas, recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.

sábado, maio 28, 2005

Saindo do Armário

Esse texto é do Alexandre Cruz Almeida. Você caro único leitor amigo lembra que já postei outros textos dele. Muito bom.

Saindo do Armário
Alexandre Cruz Almeida

Os humanos, enquanto manada, são lamentáveis. Individualmente, alguns prestam.
 
A melhor maneira de desentocá-los? Se mostrar.
 
Uma de minhas melhores amigas disse me admirar por minha abertura. Que a coisa mais digna de nota na minha personalidade era essa capacidade de me abrir para as pessoas e para o mundo, não ter medo de me mostrar. Eu ri. Aquilo era como me elogiar por ter dois braços, algo inerente a mim e totalmente fora do meu controle. Ao que ela respondeu, sempre muito lógica, que ela admirava não as minhas qualidades que me custavam ou não esforço, mas as minhas qualidades que ela jamais conseguiria ter.
 
Eu me mostro porque preciso. Eu me mostro porque é assim que eu sou. Mais do que tudo, eu me mostro porque esse é o melhor jeito de conhecer quem está a minha volta. Escancarando de vez.
 
Quando eu era adolescente, meu grande sonho era ser homossexual só pra poder sair do armário. Imagina, que delícia, soltar a franga em um daqueles natais com trocentos familiares. É isso mesmo, vovó Leotildes, eu gosto de chupar pau. É, titia Cleonice, eu sou que nem a senhora, gosto de uma jeba entrando em mim. Infelizmente, eu não só era irremediavelmente heterossexual como ainda tinha uma família mínima: o showzinho, se houvesse, teria que se restringir ao meu pai, minha mãe e minha irmã.
 
Os homossexuais que saem do armário merecem nossa inveja e admiração: eles passam por um momento de revelação quase religioso em sua intensidade. Ao mesmo tempo, ponto de ruptura e ponto de teste. Nessa hora, com um único gesto, você conhecerá todos seus amigos e parentes.
 
Algumas pessoas têm medo de se mostrar. O que minha mãe vai pensar? Será que a tia Maricota vai achar ruim? E se eu perder amigos?
 
Mas, caramba, o objetivo é justamente esse!
A melhor coisa de se mostrar é se livrar daquelas pessoas que nunca foram realmente suas, aquelas pessoas que amam mais seus próprios preconceitos do que você, aquelas pessoas que, por força das convenções vigentes, simplesmente não vão mais conseguir te amar e te aceitar. Deixe elas seguirem viagem. Quem se importa com elas?
 
Eu tento me concentrar em quem vale a pena.
Em um primeiro grupo estão aquelas pessoas que me amavam e continuam me amando, que me aceitam e sempre aceitaram.
 
Ainda mais valiosas são as pessoas que me amam apesar dos seus preconceitos, que me aceitam apesar de eu ir contra tudo o que acreditam. Essas diferenças de opinião não importam para esses meus heróis. Nosso amor transborda e cobre os preconceitos, inunda as normas vigentes, afoga as convenções, varre do mapa as mesquinharias.
 
Por fim, meu grande prazer é descobrir iguais onde menos espero. Pessoas que eu nem conhecia, com as quais eu nem falava, por quem eu não dava nada de repente se revelam, apertam minha mão e me oferecem seu apoio irrestrito. E eu penso: mas como?, você também é assim?, você também gosta disso?, e a gente se conhece há tanto tempo, não é?, quem diria!
 
As primeiras pessoas já eram e continuam sendo os pilares de sustentação da minha vida e da minha sanidade.
 
As segundas me ensinam todo dia lições profundas de maturidade e amor. Porque, no fim das contas, se existe maturidade e se existe amor, pouco importa quem é comunista ou capitalista, monogâmico ou poligâmico, ateu ou crente.
 
As terceiras enriquecem a minha vida e compensam todas as que foram embora. Por serem semelhantes a mim, são o espelho onde me vejo, a experiência em que me baseio, o padrão no qual me meço.É ao me revelar que descubro que vai bailar comigo e quem vai se encostar na parede?
 
É ao me mostrar que descubro quem vai me dar as mãos nessa viagem e quem vai estancar na encruzilhada.Não tenho medo de rejeição.
 
Ser rejeitado pelas pessoas pequenas só faz bem. Os pequenos se afastarem de mim por conta própria me poupa o trabalho de espantá-los a pauladas.
 
Troco alegremente a rejeição dos pequenos pela aceitação dos grandes.
 
Não me incomodo de ser um eremita, mas gostaria muito de comer regularmente.