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domingo, julho 05, 2009

Detalhes

Com a comemoração dos 50 anos de carreira, Roberto Carlos voltou a ser febre nacional, disputando espaço na mídia com a morte de Michael Jackson.

Sempre nutri aquela antipatia natural do jovem que repudia o velho por hábito mais do que por avaliação real.

Hoje, gosto de suas letras, não de sua voz, e me toquei ao ouvir algumas de suas músicas.

Identifiquei-me com a letra abaixo, pois os últimos acontecimentos me fizeram saber de ter sido a melhor coisa na vida de alguém, e que mesmo o tempo passando, ele ainda vai lembrar de mim.

Contudo, já percebo que a longa estrada do tempo transforma um grande amor, mesmo que não seja, ainda, em quase nada.


"Durante muito tempo
Em sua vida
Eu vou viver...

Detalhes tão pequenos
De nós dois
São coisas muito grandes
Prá esquecer
E a toda hora vão
Estar presentes
Você vai ver...

Eu sei que esses detalhes
Vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma
Todo amor em quase nada
Mas "quase"
Também é mais um detalhe
Um grande amor
Não vai morrer assim
Por isso
De vez em quando você vai
Vai lembrar de mim..."

Detalhes - Roberto Carlos

terça-feira, junho 30, 2009

Essa é não mais uma carta de amor, são pensamentos soltos...

A vida prega algumas peças na gente. Temos aquela falsa sensação que temos controle sobre o que nos acontece. Mas é só acontecer algo totalmente inesperado que tomamos consciência que controle nada tem a ver com viver. Surpreender-se tem maior proximidade com a realidade.

Foi exatamente isso que me ocorreu. Uma pessoa que pensei estar totalmente fora da minha vida, tanto em termos de laços quanto geográficos, bateu a minha porta.

Eu que por tantas vezes durante tantos meses havia ensaiado diversas reações - raiva, mágoa, amor, paixão, tesão - num pseudo reencontro que nunca ocorreu, reagi da única maneira que não imaginava.

Talvez, porque já havia aceitado que esse encontro não ocorreria mais, por mais que o houvesse desejado mais que tudo.

Pois, também, pela primeira vez em muito tempo, estava simplesmente deixando passar, e muito havia passado.

A doçura e a tristeza foram constantes, mas a pele não respondia mais, o beijo não tinha mais o mesmo gosto nem efeito. Amigos com ar que não poderíamos ser só amigos. Um constrangimento confortável, nos conhecíamos demais para sermos estranhos, mas já havia passado tempo demais para, ainda, termos a mesma intimidade.

Achei que havia um sentimento, contudo existia outro, mais terno, com ar de que ainda sim poderia ser amor, mas não era mais.

Muita coisa falamos, muita coisa sentimos, devaneamos sobre um futuro que tinha tudo para ter sido, mas nunca será.

No entanto, não foi um novo capítulo dessa história, nem foi um final, o fim já havia sido, só nós dois não tínhamos certeza disso.
Foi a tristeza de rever uma foto antiga de um momento muito bom que acabou e a felicidade de saber que vivemos aquilo.

O caminho da redenção daquela história foi completada, sem magoas, com um bem querer enorme, com várias lágrimas no olhar, mas a esperança de agora, finalmente, poder seguir em frente.

domingo, junho 07, 2009

Quero a sorte de um amor tranquilo

Se tantos de nós andam por esse planeta a procura de amor, por que continuamos na busca?

Como resposta, eu apontaria o medo.

O medo virou uma prisão.

São muitos medos: de nos abrir, de tentar, de sermos magoados, preteridos, de depender, de não sermos correspondindos, de não dar certo (mais uma vez)...

Apesar do medo, ainda sinto algo diferente, uma ausência presente, quando ouça uma música romântica, quando leio sobre histórias de amor, ou vejo um filme. Mas ainda não me livrei do medo.

E você, caro único leitor amigo, de que você tem medo?

segunda-feira, abril 27, 2009

Homem a nível de imóvel

Caro único leitor amigo, não sei se recorda que estou procurando um apê para me mudar. Isso faz uns dois meses e até agora nada. Coleciono visitas a lugares desagradáveis, imovéis inalcançaveis, pouco seguros ou ainda inadequados pela distância.

Hoje, pela primeira vez, vi dois apartamentos que me vi morando lá. Um tinha a varanda dos meus sonhos, tive um dejavu de me balançar na rede que teria ali. No outro parecia que eu mesma tinha feito a reforma e escolhido os armários, cores, persianas.

Mas qual é a conclusão? Ainda não tenho casa nova, eles não tem garagem. Resumindo, nada é perfeito sempre tem algum impecilho.

Dessa situação veio a conclusão de vida: Imóvel é igual a homem!!!
  • Imóvel velho = a homem velho: é fácil de achar, mas ninguém quer, já tá detonado e com cara de que já teve muitos donos.
  • Imóvel barato e simpático = homem simpático: tem muita oferta, no desespero você até moraria, mas não tem graça e nem dá vontade de ficar muito tempo.
  • Loft duplex ( psicina, sauna, espaço gourmet) = galã de cinema, gatão dos seus sonhos: você sonha com ele, vai olhar, faz os cálculos e vê que não tem cacife para bancar. E quando consegue um desses, pode ser despejada a qualquer hora.
  • Imóvel distante = namoro a distância: no começo tem o charme do bairro novo, a descoberta, a viagem parece até não ser cansativa, mas no final acaba que não dá certo, é cansativo, gasta muita gasolina e você começa a olhar a oferta que está perto.
  • Paixão a primeira vista: você vê tudo que sonhou nele, mas depois olha de novo e começa a ver que há muitos problemas que não aparecem a primeira vista e são sérios, encanamento comprometido, instalação elétrica com defeito, etc.
  • Apartamento sem garagem = homem aventureiro: ele é perfeito,vocês se diverte muito, vão nos lugares da moda, nunca conversam sobre problemas, mas não é seguro, um dia você sai com ele, se diverte, pensa que há como evoluir, mas ai ele some. É como o apartamento sem garagem, um dia ainda te roubam o carro.
  • Apartamento perfeito = homem quase perfeito: O apê não era dos seus sonhos, mas você consegue administra-lo, contas em ordem, sem estresse, e cada dia você gosta mais, a decoração vai deixando ele com a sua cara, você se acostuma com o barulho daquele taco solto, e começar até a achar o som afinado, e esse é o seu lar. E o namorado? ele é bonito, mas não é um princípe encantado, é divertido, estável e, mesmo que no começo você não tenha achado ele perfeito a primeira vista, você gosta dele a cada dia, acha mais qualidades, se sente mais a vontade.

Só não sei se é mais difícil achar o apartamento perfeito ou um namorado quase perfeito. E você caro único leitor amigo, que acha?

sexta-feira, abril 03, 2009

Passado

Ontem passei uma experiência muito louca: a de não reconhecer alguém que já conheci muito profundamente.

Você convive com alguém, divide coisas profundas e ama essa pessoa profundamente. O tempo passa e, um dia, você olha a foto dela e não a reconhece.

Fisicamente em nada lembra aquele gato sarado que tirou seu fôlego quando você olhou a primeira vez. Não tem mais aquela doçura no olhar, envelheceu décadas em meses.

A pessoa parece ter se acabado: engordou uns 40 kgs, envelheceu 20 anos, perdeu parte do brilho do olhar, não está mais feliz, enrolou a vida, perdeu aquela inocência e todo aquele futuro promissor.

Não senti nada. Na verdade, senti compaixão, e não mais paixão.

Pensei: será que ele teria se transformado nesse homem se ainda estivéssemos juntos? Será que poderia me sentir atraída mesmo assim?

Não há respostas para perguntas com se.

Mas fico aliviada de não sentir mais tristeza e nem ter uma lágrima no olhar ao ver uma foto dele, mesmo com outra ao seu lado.

Eu estou feliz! Livre do passado e pronta para encarar a promessa de dias ainda melhores.

Porém, continuo a desejar tudo de bom para ele, torço para ele recuperar um pouco da pessoa que ele foi e que amadureça a pessoa que ele não poder ser.

segunda-feira, março 23, 2009

Como terminar um relacionamento?

O fato é que terminar é sempre difícil e doloroso. Claro que é pior para quem leva um pé na bunda. Mas convenhamos que não é agradável virar para alguém que você já gostou ou até ainda gosta e dizer: “bom, não está dando certo”.

Porém, sem querer reforçar o argumento sexista, os homens têm de fato mais dificuldades em declarar o fim.

Li uma reportagem na Men’s Health sobre isso, achei interessante alguns pontos, então irei comentá-los:

“Dá trabalho? Claro! Talvez você tenha que se esforçar mais para mandá-la passear do que quando queria levá-la para a cama. E ainda tenha que agüentar todos os chororôs, as chantagens e ficar com a pecha de filho-da-p... "Os homens têm dificuldade de terminar qualquer relacionamento porque têm a intuitiva certeza de que vão ser considerados uns filhos de mães de passado duvidoso. E temem isso.”

Então, adorei essa frase sobre termina x levá-la para cama. Os homens fazem coisas absurdas, esforço, etc quando querem levar uma mulher para cama ou para conquistá-la, mas tem pavor de terminar um relacionamento. Então, a questão não é o nível de trabalho.

"É inconsciente, mas acontece. Para o homem interessa ter um relacionamento sem compromisso. Tudo o que tem a perder é um monte de espermatozóides", analisa o psicólogo Ailton Amélio da Silva, autor do livro Para Viver Um Grande Amor (Ed. Gente, 168 págs.). Por isso ele topa ficar com uma mulher que no fundo não namoraria nem casaria. E ele sabe disso o tempo todo. Levar de qualquer jeito é mais cômodo do que terminar. "Você talvez ouça que não é pelo fato de ter se separado, mas pela forma como se separou. Não se iluda. O problema dela é com o fato. Não há boa saída, pode desistir. Só existe saída, e ponto", diz Daudt. Então se quer diminuir as chances de ser mal classificado, tente fazer a coisa de forma simples. Não suma e não invente desculpas. Vá direto ao ponto. E anote aí: além dos espermatozóides, você está perdendo tempo e a possibilidade de encontrar alguém para ser feliz.

A frase em itálico é tão péssima quanto verdadeira. Afff...

NÃO FAÇA

Sem meias-palavras ou estratégias furadas. Se chegou à conclusão de que ela não é a garota que você quer, vá direto ao ponto. Veja o que não fazer para seu bem - e para o dela também

Parece tão óbvio!!! Pena que na prática eles não sigam isso. Que raiva!!!

DAR DESCULPAS ESFARRAPADAS

INCORPORAR O CAFAJESTE

DAR A DERRADEIRA

NAUFRAGAR EM COMPROMISSOS

TOMAR CHÁ DE SUMIÇO

Ligar menos, não responder os emails, ignorar o chamado no MSN, sumir nos finais de semana, não atender o celular... Você pode até querer que ela entenda o recado- com o perdão da brincadeira- de que você não está mais nem aí, literalmente. Mas, se quer mesmo terminar, não haja como um moleque. É uma estratégia para ver quanto o elástico estica sem apertar a garganta dele.

Isso é covardia total!

DIZER: "NÃO É VOCÊ, SOU EU"

Clichê total...

DIZER: "VOCÊ NÃO ME ENTENDE"

PEDIR UM TEMPO

Se quer mandar o recado de que o gato subiu no telhado, esqueça. As mulheres, principalmente em se tratando de amor, só entendem e enxergam o que querem. E, se não tem certeza se quer terminar, converse e tente salvar a relação. Mas, se está usando isso como estratégia para ver se ela se manca e toma uma atitude, pode esperar sentado. "É um eufemismo para dizer que não quer mais. Mas tudo que é ambíguo não funciona. A mulher fica em dúvida e analisa cada palavra, cada gesto e interpreta como quer", diz Amélio.

Isso me mata: não tem coragem para terminar, então vem com esse papo de dar um tempo, para vê se a mulher fica puta e termina com ele. Ou pior, pede um tempo para poder galinhar (e não se sentir cafajeste, porque assim ele seria um bom moço na cabeça dele? ???????) e deixar a mulher esperando, caso ele decida que é melhor voltar.

FAÇA A COISA CERTA

Escolha a hora e as palavras certas, mas não espere nem mais um dia para terminar esse relacionamento

SEJA SINCERO...

Diga: "Não quero mais" ou "Não está dando certo" ou "O amor acabou". Não ponha a culpa no trabalho, na fome mundial ou no time que foi parar na série B. Qualquer coisa que você diga que não tenha a ver exclusivamente com seus sentimentos e planos em relação a ela vai deixar margem para que a garota pense que é uma fase e que vai passar. Sim, passou: passou o amor. Seja simples e direto. "O que quer que você diga, não é o que ela quer ouvir. Então, economize", diz Francisco Daudt.

...E DIPLOMÁTICO

Não precisa agir como um ogro. O amor acabou, mas vocês já se divertiram um bocado juntos. A não ser que ela tenha pisado feio na bola - transou com seu melhor amigo, por exemplo -, seja carinhoso nessa última conversa. Diga o quanto foi bom enquanto vocês estavam juntos e que infelizmente as coisas já não são mais como no início. Não precisa dizer "eu nunca te amei" ou "não sinto mais tesão". "Seja eficaz, sem causar danos desnecessários", aconselha Ailton Amélio.

TENHA CERTEZA DO QUE QUER

O relacionamento esfriou, caiu na mesmice, o tesão diminui? Bem, acontece nas melhores famílias. Mas o quanto issoé culpa dela e qual a sua parcela em não fazer nada para chacoalhar essa história? "O problema é que os casais deixam a coisa chegar ao ponto extremo de não se suportarem mais, quando já não dá mais tempo de reformular a relação. Ninguém é obrigado a ir ao cinema todo sábado. Muitas vezes não há nada de errado com a pessoa, mas com o relacionamento, e aí não adianta mudar de parceiro", diz a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins.

Nada prolonga mais o sofrimento do outro que a dúvida, o vestígio que há volta, solução, etc...

Não seja egoísta e imaturo, então não envolve sua ex-parceira nas suas confusões mentais.

TERMINE CARA A CARA

Mesmo que vocês tenham se conhecido virtualmente, é o cúmulo da covardia terminar por telefone, e-mails, SMS ou MSN. Encare o problema - no caso a ainda namorada. Não interessa se a garota mora no mesmo bairro, do outro lado da cidade, do outro lado do país ou do outro lado do mundo. Sim, dá trabalho!

É difícil sentir o fim real sem um olho no olho... Tenho certeza que ela merece pelo menos esse gesto seu.

quarta-feira, março 18, 2009

Novela Mexicana

Caro único leitor amigo, você com certeza deve ter assistido a pelo menos uma novela mexicana na vida. Como muda a novela mais a história no final é tudo igual, basta uma para entender.

Os enredos são sempre o mesmo: dois protagonistas que se amam, mas em pouco tempo se separavam e desde aí, nada dava certo para eles! Os dois protagonistas eram sempre muito orgulhosos e nunca assumiam seus erros, por isso passavam a novela inteira brigando, e, quando um cedia e resolvia demonstrar o amor que sentia, o outro se revoltava e, magoado, por um motivo forte ou não, ignorava os apelos do outro apaixonado. No final eles ficam juntos e serão felizes para sempre.

Elas são melodramáticas e de baixa qualidade, mas preenchem bem o ócio. Claro que, normalmente, a gente cresce e perde a paciência de assistir a essas coisas.

O problema real é quando a nossa vida vira uma nova mexicana., especialmente porque não há finais felizes.

Uma hora a gente tem que desistir de mudar as coisas, e há fatos na vida que simplesmente são assim, sem explicações e lógicas. Tem histórias que foram lindas e começaram como lindos filmes, mas nunca terão um final feliz.

A gente chora, aceita e vai tocar a vida...

E esperar que o amor se repita! Mas, por favor, sem melodramas...

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Receita para se esquecer um grande amor

Para você caro único leitor amigo que um dia amou, aprendeu a chorar, mas não aprendeu a esquecer...


"As vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.

Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Augusto dos Anjos, "Queixas Noturnas". Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir. Porque A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante (Mário de Sá-Carneiro, "Serradura").

E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas (agora) crônicas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.

Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando estupefata você ouviu minha curtíssima e derradeira declaração de amor. Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns parcos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal (afastando a cachorra para que não se queime) e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras. Já não me amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho (Olavo Bilac, "Desterro").

Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes, "Sombra e Luz"). A realidade foi deveras distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.

Mas agora ele está lá e eu aqui. Ele está lá seguindo a vida dele, e eu estou aqui, seguindo a minha. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte (Neruda, "Aqui eu te amo"). Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer (Teus olhos são duas silabas/ Que me custam soletrar./ Teus lábios são dous vocábulos/ Que não posso,/ Que não posso interpretar Fagundes Varela, "Canção Lógica"). Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.

Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.

Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida..."

Marcelo Maroldi

“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão” Fernando Pessoa

Quem diria que eu citaria Paulo Coelho com tanta concordância, mas tudo nesta vida chega.

Essa é para você meu único caro leitor amigo, quem sabe amiga...

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará!

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.." Paulo Coelho

quinta-feira, outubro 16, 2008

A importância de perdoar


O fim de um relacionamento é muito estressante e doloroso, é sempre um luto. Você sofre pela perda de carinho, de atenção, de compreensão e o mais triste de tudo é a perda do futuro que você imaginou que teriam juntos. Fica muito difícil aceitar a realidade de que tudo acabou.

Porém, todo luto tem seu ciclo: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Logo depois do fim do relacionamento, principalmente quando é a outra pessoa que termina, entramos em negação. Aquele sentimento de “isso não pode estar acontecendo, eu não acredito, parece mentira...”

Quando decidimos enfrentar o problema de frente, aparece a raiva. Ficamos com ódio por ele ter aprontado e por ter nos abandonado, temos raiva de nós mesmas por ter nos deixado enganar e muitas botam a culpa em si mesma.

Alimentar um ódio ou mágoa por alguém que nos feriu é fácil e natural, é humano. Passamos a ser consumidos por esse sentimento, nos faz mal, nos faz egoístas, e não interfere em nada no comportamento daquele que nos machucou.

Mas é esse tive de ser humano que você quer ser?

Eu não... Eu escolhi crescer... Perdoar é um amadurecimento, e eu quero ser um ser humano melhor e generoso.

Perdoar não é fingir que está tudo bem, para parecer que você é superior àquela situação ou para não se sentir humilhada.

A concessão do perdão deve ser sem qualquer expectativa de compensação, vem do coração é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.

Então, você pode ficar preso ao passado ou aceitar que os seres humanos são falíveis, que tudo na vida muda e deixar o passado pra trás e se dar uma nova chance de ser feliz...

Isso é amadurecimento: saber seu valor, ser autêntico, respeitar o seu próprio sentimento e do outro.

O grande mal da humanidade é falta de “compreensão empática”, qué a atitude se por no lugar do outro, e se fosse eu? Não significa ter pena ou ser simpático para com os outros, mas esforçar-se para abandonar a perspectiva do receptor da atitude, mas assumir o ato á luz dos seus dramas, dificuldades e imperfeições.

Sim, eu ainda sim faria diferente. Mas as pessoas não são iguais.

Nesse exato momento que entra o perdão e a grande chance de modificar para melhor as pessoas.

Sempre digo que muitas pessoas me modificaram imensamente. Eu escolhi afetar as pessoas, e sempre que puder para ajudá-las a se tornar pessoas melhores, a ampliar a compreensão empática delas.

Isso porque eu acredito nas pessoas!

Caro único leitor amigo, EU ACREDITO EM VOCÊ!

PS: Isso não é um site de auto-ajuda e eu ainda mantenho meu sarcasmo habitual.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Não deveria ser tão complicado dizer a verdade...

"É complicado caracterizar uma relação a dois. Mais complicado ainda dizer o que faz um relacionamento dar certo."

Entretanto, não deveria ser complicado dizer a verdade...

A verdade não conserta tudo, mas dimensiona a dor e faz dela uma recompensa de uma história sem arrependimentos.

A verdade não muda o passado, mas faz do presente um conforto.

“A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo,
Sem tirá-las do meu coração;

Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;

Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente,
Pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente,
Pois também preciso desse amor;

A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro...”
Charles Chaplin

terça-feira, junho 28, 2005

Para que serve uma relação?

Drauzio varela

Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação? "Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil"

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido. Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a sí mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração. Uma armadilha.

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante,
para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

quinta-feira, maio 12, 2005

Reflexão sobre os relacionamentos atuais

Hoje eu recebi esse texto por e-mail, achei bem legal, então resolvi postá-lo. Ele foi escrito por uma pessoa de muita garra, pois conseguiu enfrentar uma paralisia definitiva na adolescência com uma maturidade invejável.
Visitem o blog dela: www.carlinhaematenas.zip.net

Reflexão sobre os relacionamentos atuais
Carla Limp

O que pode ser mais complicado do que tentar explicar como as pessoas se relacionam atualmente? Talvez tentar entender o porquê da nossa geração de jovens ter mudado tanto a forma de buscar o outro, da geração de nossos pais, ou até da de nossos avós. Mas proponho o desafio:
Lembro das experiências amorosas que minha avó me contava, ou devo dizer a experiência. É, tanto minha avó como meu avô só tiveram um par na vida. E viveram juntos até que a morte os separou. Imagino como o namoro era encarado como algo sério. Como as pessoas observavam a família, os amigos, e tudo que envolvesse a vida do pretenso par antes de uma abordagem. O namoro era um compromisso, um indicativo de casamento. Hoje, o namoro, que já é algo difícil de acontecer, é um teste, uma forma de iniciação amorosa e sexual, mas sem qualquer compromisso futuro.
Na época dos meus pais, o namoro já não era indicativo de casamento, mas era a forma das pessoas se relacionarem. Para isso, os jovens tinham que se envolver mais. Apesar de ser um teste para o casamento, namorar alguém era além da troca de carinhos, uma troca de amizade e experiências. As pessoas se conheciam mais. Conheciam menos pessoas, mas as que conheciam, o faziam mais profundamente.
Minha época... Hoje definir os relacionamentos é algo complexo. Tudo acontece de forma rápida. As informações são oferecidas rapidamente, a tecnologia muda a toda hora, o mercado de trabalho é uma corrida, sendo assim, a vontade de se experimentar e provar do mundo tornou-se premente, desesperada, frenética. As pessoas querem realizar-se instantaneamente. E ironicamente os valores passaram a ser menos valorizados. A ansiedade em encontrar alguém, tornou os relacionamentos superficiais, vazios. Atualmente namorar, apesar de não ser um indicativo para o casamento, é algo que assusta. Manter compromisso com alguém é perder a oportunidade de conhecer outra pessoa que, talvez, seja melhor que esta a qual deveria estar conhecendo. O medo do compromisso impede. Para evitar o namoro foram inventadas formas de se relacionar que criam intimidade, mas não compromisso. O pré-namoro. O “ficar” é uma delas, você namora a pessoa por um período, um dia ou até uma noite, dependendo dos seus limites; o “rolo” é outra, acontece quando você “fica” varias vezes com a mesma pessoa, já é algo mais sério e há possibilidades em isso se transformar em namoro. É até engraçado, o paquera é chamado de “pega”, a nomenclatura ideal para a pessoa que você não namora, mas pega de vez em quando. A busca pelo prazer que o relacionamento trás sem se envolver, sem mostrar quem você realmente é para o outro e ter que arcar com as conseqüências de se expor, ser ou não aceito, amado, é tentador, mas perigoso.
Ficar antecipa muita coisa gostosa que vem junto com a conquista, o mistério e a maravilha que é descobrir aspectos, qualidades e até os defeitos do outro. Às vezes tudo isso é pura busca pelo prazer rápido, suprir a carência sem comprometer-se. Funciona? Sim. Mas o prazo é curto. Saímos tão vazios como entramos. Inventamos um jeito de consumir pessoas. Se nos tornarmos descartáveis, fica fácil de se relacionar sem sofrer, porque não nos sentimos rejeitados. As pessoas nos usam e nós as usamos. Seria simples se fosse possível nos comportar como objetos, mas vivemos dos nossos sentimentos, e precisamos usá-los. Suprir a carência de tal forma se torna uma rotina sem fim porque ela nunca será suprida assim. Sempre vamos querer mais. Afinal, ao ficar, na maioria das vezes, não há troca de sentimentos, apenas sensações. O ser humano precisa amar e ser amado. Trocar sentimentos. Conheço relacionamentos que começaram assim e deram certo. Sei que atualmente é muito difícil se relacionar de maneira diferente. Faço parte da sociedade e seguindo minha ética, procuro adaptar-me da melhor maneira possível para ser feliz. Mas invejo profundamente o tempo em que os valores contavam mais.