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domingo, setembro 06, 2009

Tem gente que é triste e não sabe

Tem gente que é feliz e não sabe.

Só que também tem gente que é triste e não sabe. Já fui dessas pessoas, só que ai li pela primeira vez sobre a depressão.

Então, sabia que tinha depressão, mas era saudade do que não vivi e das pessoas que não conheci.

Vivia muito bem com minha pseudo-depressão até ler Drummond pela primeira vez.

Percebi que me enganara, eu era a própria ausência assimilada.

Mas agora esperava por aquela pessoa que não conheci e que, ainda assim, fazia o peito apertar de tanta saudade.

Quando me apaixonei tudo mudou: a saudade passou, a depressão inexistia, ausência foi preenchida.

Simplesmente vivia, ria e sorria... Até que o amor dele acabou.

Eu padeci e dessa vez era depressão, mas me recusei a aceitá-la.

Pouco a pouco voltei a viver e a sorrir.

Só que hoje sei que o tempo não compra passagem de volta.

Tenho lembranças e não saudades.

sábado, abril 25, 2009

O Trem vai

Lembranças tem mais de um sentido. Hoje tive saudades de uma época que acordar tinha aroma de café recém passado com pão-de-queijo assando.

Essa mistura olfativa marcou fases diferentes e maravilhosas da minha vida.

Posso lembrar do velho sobrado em minas com minha avó na cozinha. Ou domingos na casa que cresci. Ou uma outra casa em outro canto de minas que vivi uma história de amor louca. Ou, ainda, da primeira fornalha na minha própria casa.

Enfim, amanhã acho que vou comer pão-de-queijo com café, pena que não tenha mais a mesma magia.

"O trem do tempo apitou
E você ficou pra trás
Desembarcou na estação do passado
O trem do tempo partiu
E o destino me levou" Diogo Nogueira

sexta-feira, abril 03, 2009

Passado

Ontem passei uma experiência muito louca: a de não reconhecer alguém que já conheci muito profundamente.

Você convive com alguém, divide coisas profundas e ama essa pessoa profundamente. O tempo passa e, um dia, você olha a foto dela e não a reconhece.

Fisicamente em nada lembra aquele gato sarado que tirou seu fôlego quando você olhou a primeira vez. Não tem mais aquela doçura no olhar, envelheceu décadas em meses.

A pessoa parece ter se acabado: engordou uns 40 kgs, envelheceu 20 anos, perdeu parte do brilho do olhar, não está mais feliz, enrolou a vida, perdeu aquela inocência e todo aquele futuro promissor.

Não senti nada. Na verdade, senti compaixão, e não mais paixão.

Pensei: será que ele teria se transformado nesse homem se ainda estivéssemos juntos? Será que poderia me sentir atraída mesmo assim?

Não há respostas para perguntas com se.

Mas fico aliviada de não sentir mais tristeza e nem ter uma lágrima no olhar ao ver uma foto dele, mesmo com outra ao seu lado.

Eu estou feliz! Livre do passado e pronta para encarar a promessa de dias ainda melhores.

Porém, continuo a desejar tudo de bom para ele, torço para ele recuperar um pouco da pessoa que ele foi e que amadureça a pessoa que ele não poder ser.

quarta-feira, junho 01, 2005

Lembranças

Dias estranhos esses últimos. Mas nada que se compare a esta noite. Hoje me dei conta que um pedaço substancial da minha vida acabara. A casa dos meus avôs, a casa que eles viveram os últimos 22 anos, a única casa deles que eu conhecera, estava sendo desmontada. Parecia que em quanto aquela casa estivesse como sempre esteve, a minha avó, as minhas lembranças e a minha infância estariam vivas. Mas agora isto estava chegando ao fim.

Nunca mais eu sentaria nos degraus daquela escada para comer, nem correria por ela, enquanto meu avô resmungava que era perigoso eu escorregar. Nunca mais veria as tantas violetas que minha avô cultivava. Nem iria ver meu avô cochilar no sofá, e acordar dizendo que não consegue dormir de dia. Nem veria minha avó rezar na sala de estar. Nem iria roubar biscoitos do armário da cozinha, que mais parecia um guarda-roupa. Não iria mais rever pela milésima vez as fotos de família que ficavam guardadas no guarda-roupa do quarto de visitas, ou iria ouvir o relógio de tic-tac, ou iria ver minha avó tricotar, ou os mexeria nos vários vidros de perfumes na penteadeira da minha avó, ou simplesmente iria sentar nas cadeiras do jardim e não ver ninguém passar na rua.

São tantas lembranças que nunca pensei que fossem tão importantes. Estas que por tantas vezes passaram por banais, mas agora perde-las é quase morrer. É a morte de uma ingenuidade que não mais existe.