sexta-feira, janeiro 30, 2009

O amor acaba em raiva ou em rima...

Amor, então
Paulo Leminski

"Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima. "

Aqui estou mostrando minha rima, rima moderna, em prosa e que não rima...

Acabou? Sofreu? Chorou? Esqueceu?

Para que esquecer?

Se há sempre de lembrar-se que já não pensa mais...

Apenas deixe passar, passar porque já passou, mas perpetuou-se em você

Pessoas entram nas nossas vidas, perdemos algumas no mundo

Mas elas ficam, porque te modificaram

Isso não se esquece,

porque não é sobre o outro, e sim sobre quem você é hoje.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Receita para se esquecer um grande amor

Para você caro único leitor amigo que um dia amou, aprendeu a chorar, mas não aprendeu a esquecer...


"As vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.

Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Augusto dos Anjos, "Queixas Noturnas". Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir. Porque A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante (Mário de Sá-Carneiro, "Serradura").

E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas (agora) crônicas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.

Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando estupefata você ouviu minha curtíssima e derradeira declaração de amor. Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns parcos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal (afastando a cachorra para que não se queime) e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras. Já não me amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho (Olavo Bilac, "Desterro").

Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes, "Sombra e Luz"). A realidade foi deveras distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.

Mas agora ele está lá e eu aqui. Ele está lá seguindo a vida dele, e eu estou aqui, seguindo a minha. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte (Neruda, "Aqui eu te amo"). Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer (Teus olhos são duas silabas/ Que me custam soletrar./ Teus lábios são dous vocábulos/ Que não posso,/ Que não posso interpretar Fagundes Varela, "Canção Lógica"). Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.

Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.

Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida..."

Marcelo Maroldi

“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão” Fernando Pessoa

Quem diria que eu citaria Paulo Coelho com tanta concordância, mas tudo nesta vida chega.

Essa é para você meu único caro leitor amigo, quem sabe amiga...

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará!

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.." Paulo Coelho

quinta-feira, outubro 16, 2008

A importância de perdoar


O fim de um relacionamento é muito estressante e doloroso, é sempre um luto. Você sofre pela perda de carinho, de atenção, de compreensão e o mais triste de tudo é a perda do futuro que você imaginou que teriam juntos. Fica muito difícil aceitar a realidade de que tudo acabou.

Porém, todo luto tem seu ciclo: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Logo depois do fim do relacionamento, principalmente quando é a outra pessoa que termina, entramos em negação. Aquele sentimento de “isso não pode estar acontecendo, eu não acredito, parece mentira...”

Quando decidimos enfrentar o problema de frente, aparece a raiva. Ficamos com ódio por ele ter aprontado e por ter nos abandonado, temos raiva de nós mesmas por ter nos deixado enganar e muitas botam a culpa em si mesma.

Alimentar um ódio ou mágoa por alguém que nos feriu é fácil e natural, é humano. Passamos a ser consumidos por esse sentimento, nos faz mal, nos faz egoístas, e não interfere em nada no comportamento daquele que nos machucou.

Mas é esse tive de ser humano que você quer ser?

Eu não... Eu escolhi crescer... Perdoar é um amadurecimento, e eu quero ser um ser humano melhor e generoso.

Perdoar não é fingir que está tudo bem, para parecer que você é superior àquela situação ou para não se sentir humilhada.

A concessão do perdão deve ser sem qualquer expectativa de compensação, vem do coração é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.

Então, você pode ficar preso ao passado ou aceitar que os seres humanos são falíveis, que tudo na vida muda e deixar o passado pra trás e se dar uma nova chance de ser feliz...

Isso é amadurecimento: saber seu valor, ser autêntico, respeitar o seu próprio sentimento e do outro.

O grande mal da humanidade é falta de “compreensão empática”, qué a atitude se por no lugar do outro, e se fosse eu? Não significa ter pena ou ser simpático para com os outros, mas esforçar-se para abandonar a perspectiva do receptor da atitude, mas assumir o ato á luz dos seus dramas, dificuldades e imperfeições.

Sim, eu ainda sim faria diferente. Mas as pessoas não são iguais.

Nesse exato momento que entra o perdão e a grande chance de modificar para melhor as pessoas.

Sempre digo que muitas pessoas me modificaram imensamente. Eu escolhi afetar as pessoas, e sempre que puder para ajudá-las a se tornar pessoas melhores, a ampliar a compreensão empática delas.

Isso porque eu acredito nas pessoas!

Caro único leitor amigo, EU ACREDITO EM VOCÊ!

PS: Isso não é um site de auto-ajuda e eu ainda mantenho meu sarcasmo habitual.

terça-feira, outubro 14, 2008

Trajetória

Composição: Arlindo Cruz / Serginho Meriti / Franco

Não perca tempo assim contando história
Pra que forçar tanto a memória
Pra dizer
Que a triste hora do fim se faz notória
E continuar a trajetória
É retroceder
Não há no mundo lei que possa condenar
Alguém que a um outro alguém deixou de amar
Eu já me preparei, parei para pensar
E vi que é bem melhor não perguntar
Porque é que tem que ser assim
Ninguém jamais pôde mudar
Recebe menos quem mais tem pra dar
E agora queira dar licença, que eu já vou
Deixa assim, por favor
Não ligue se acaso o meu pranto rolar, tudo bem
Me deseje só felicidade, vamos manter a amizade
Mas não me queira só por pena
Nem me crie mais problemas
Nem perca tempo assim contando história...

Tantas vezes, tento explicar o que sinto,
transformar sentimentos em palavras,
Tentativas frustradas.
Desconhecidos com outras experiências,
Mas com o mesmo sentir, o mesmo sofrer, o mesmo dilema,
Escrevem canções sobre nós mesmos.

Deixo a minha dor agir
Porque ela não será eterna.
Tudo tem seu fim.
Mas não virei para ele.
Vou seguir a trajetória.

Mas carrego tudo em mim.
Levo minhas cicatrizes.
Pra lembrar
Que um dia tive coragem de me jogar.

Eu não apago meus amores
Nem minhas dores

Mas o tempo dimensiona tudo.

O amor que não pode mais ser alimentado.
Um dia não precisará mais ser sufocado.


No final, a tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não.