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sexta-feira, julho 10, 2009

Simplesmente eu, Clarice Lispector

Ontem tive a grata oportunidade de assistir o monólogo, "Simplesmente eu, Clarice Lispector", protagonizado por Beth Goulart.

A montagem é uma mistura genial da densidade própria dos textos da autora, representada por suas personagens femininas, com episódios que mostraram a personalidade e vida de Clarice.

A peça não perde o ritmo, oscilando entre os dramas das personagens e da própria escritora, misturadas a passagens irônicas, que chegam a flertar com o humor.

Beth Gourlat, que além da similaridade física, consegue representar a intensidade dessa incrível artista e intrigante mulher.

Destaco uma das passagens que mais me tocou:

“eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele.” Clarice Lispector - Perdoando Deus

sexta-feira, maio 01, 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button

“A melhor parte da vida é o início e a pior o fim”. Mark Twain

Com essa frase em mente Scott Fitzgerald parte para escrever seu conto “O curioso caso de Benjamin Button”.

O autor, apesar de ser mais conhecido pelo livro “O grande Gatsby” – que reflete criticamente sobre a a alta sociedade americana, com suas futilidades e preconceituosos, no período imediatamente anterior a queda da bolsa de Nova Iorque – em seu conto sobre Benjamin surpreende por sua genialidade.

Oscilando entre uma ironia desconcertante e uma sensibilidade empática, “O Curioso caso de Benjamin Button” conta a história do bebê Benjamin nascido velho, com olhar cansado e com 1.60m, mas que ainda assim deveria a qualquer custo ser um bêbe e não Matusalém que de fato era, e que viveu o inverso do tempo e morreu um bebê com o peso no olhar de toda uma vida.

A história é uma reflexão sobre uma sociedade que não vê além das superficialidade e que rejeita tudo fora das normas e padrões preestabelecidos.

Um conto sobre o diferente, o não aceitável, a vergonha social viva nessa situação e sobre a tentativa insana de que o inexplicável se parecesse igual e padronizado.

Benjamin aceitou a vida tal como encontrou. Mas seus pais e a sociedade não.

Para mim essa é a grande sacada de Fitzgerald. Quem nunca se sentiu aprisionado em um corpo que não reconhecia ou numa vida que não entendia, mas que lhe pertencia?

Essa era a jornada diária do personagem que sozinho enfrentou a inversão da ordem natural da vida. Nasceu velho, mas não sábio, foi pai, antes de ser filho, e foi amante antes de ser homem.

Vida triste e solitária. Iria ver todos que amava morrer enquanto seu corpo rejuvenescia.

Diria que é uma história sobre a solidão, mais do que sobre a diferença. O que a transformaria não no caso de Benjamin, mas no caso de todo ser humano, que está fadado a solidão, assim nasceu e assim morrerá.

É uma história sobre nós. Aprisionados num corpo que nem sempre corresponde ao seu conteúdo. Uma casca que não acompanha a alma. Ou sobre eu e você, caro único leitor amigo, que nascemos velhos e passamos a vida tentando se permitir começar a ser jovens.

Em 2008, o conto inspirou um longa metragem, o qual recomendo. Muito interessante, mas bem diferente do original, sua rispidez foi retirada e deu lugar a uma história de amor ao longo dos tempos.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Eu quero um Tiffany


Meu único caro leitor amigo, apreenda uma lição valiosa: mulher é ser bobo!

Estou apaixonada (de novo!!!) pelo solitário da Tiffany. Sim, eu sei que ele é para pedidos de casamento e que custa USD 8,500 (a bagatela de uns 20 mil reais).

Então, de qualquer forma, já postei o meu anel perfeito: diamante redondo, solitário, ouro branco e com a escrita da Tiffany dentro.

Quem quiser comprar meu coração em cena de cinema, já deixo as dicas. Eu troco o casamento pelo anel :).

Não tem como após assistir na infância Bonequinha de Luxo, não se apaixonar pelo sonho hollywodiano de ganhar um Tiffany.

Uma amiga já me recomendou: "Se um dia for casar, fale para o meu noivo me dar um Tiffany". Se o amor pode não ser eterno, um amor de cinema com um diamante clássico sempre será...

PS: Se ninguém me comprar um nos próximos 10 anos, vou ter que me pedir em casamento.

terça-feira, setembro 30, 2008

Ensaio sobre a cegueira


OPINIÃO

Intrigante e desconfortável...

A história não é linear e faltam explicações. Mas é justamente por isso que cabem diversas teorias, o que aguça a imaginação.

Um bom filme, mas não tão espetacular como a expectativa sobre ele.

A versão mostrada em Cannes foi considerada nojenta e deprimente. Com a impossibilidade de vê-la, não opinarei a respeito dessa 1ª versão.

Entretanto, questiono se a história é dura, na pior versão "homem lobo do homem", por que o filme deveria ser leve e divertir? se a intenção é chocar e trazer para a reflexão, por que amenizar?

Talvez Cannes tenha acostumado-se aos belos vestidos, belas atrizes e filmes que encantam, e deixado de lado a reflexão da natureza humana mais negra. Ou simplesmente, o filme como qualquer obra sempre há como ser aprimorada, e as críticas podem ser construtivas.

De qualquer forma, o filme vale a pena ser visto. Nem que seja para não ficar de fora dos papos nas mesas de bares.

RESUMO

O vencedor do Prêmio Nobel de literatura, José Saramago, e o aclamado diretor Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel, Cidade de Deus) nos trazem a comovente história sobre a humanidade em meio à epidemia de uma misteriosa cegueira. É uma investigação corajosa da natureza, tanto a boa como a má - sentimentos humanos como egoísmo, oportunismo e indiferença, mas também a capacidade de nos compadecermos, de amarmos e de perseverarmos.

O filme começa num ritmo acelerado, com um homem que perde a visão de um instante para o outro enquanto dirige de casa para o trabalho e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assustadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra - sua esposa, seu médico, até mesmo o aparentemente bom samaritano que lhe oferece carona para casa terá o mesmo destino. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranóia contagiam a cidade. As novas vítimas da "cegueira branca" são cercadas e colocadas em quarentena num hospício caindo aos pedaços, onde qualquer semelhança com a vida cotidiana começa a desaparecer.
Dentro do hospital isolado, no entanto, há uma testemunha ocular secreta: uma mulher (JULIANNE MOORE, quatro vezes indicada ao Oscar) que não foi contagiada, mas finge estar cega para ficar ao lado de seu amado marido (MARK RUFFALO). Armada com uma coragem cada vez maior, ela será a líder de uma improvisada família de sete pessoas que sai em uma jornada, atravessando o horror e o amor, a depravação e a incerteza, com o objetivo de fugir do hospital e seguir pela cidade devastada, onde eles buscam uma esperança.

A jornada da família lança luz tanto sobre a perigosa fragilidade da sociedade como também no exasperador espírito de humanidade. O elenco conta com: Julianne Moore (Longe do Paraíso, As Horas), Mark Ruffalo (Zodíaco, Traídos Pelo Destino), Alice Braga (Eu Sou a Lenda, Cidade de Deus), Yusuke Iseya (Sukiyaki Western Django, Kakuto) Yoshino Kimura (Sukiyaki Western Django, Semishigure), Don McKellar (Monkey Warfare, Childstar), Maury Chaykin (Verdade Nua, Adorável Julia), Danny Glover (Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho, A Cor Púrpura) e Gael García Bernal (Babel, Diários de Motocicleta, E Sua Mãe Também).

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Amar, verbo intransitivo



Mário de Andrade





O livro “Amar, verbo intransitivo” é na minha opinião é o melhor texto do Mário de Andrade, diria, quiçá, dos romances modernos. Andrade é um escritor ousado, criativo, sensível... Vou parar aqui com esses adjetivos, ele mesmo não seria um entusiasta.

Encanta-me seu tão profundo domínio do Brasileiro. Caro único leitor amigo, não me corrija, não falamos português no Brasil há muitos, defendo a necessidade de sermos sinceros: Falamos Brasileiro, sim! Alguns, como Andrade, melhor que outros.

Esse é um dos meus romances favoritos, romance moderno, não romance romântico... Texto que nos faz sonhar e nos traz a realidade, que contrapõe e mescla com maestria: o “homem-do-sonho” com o “homem-da-vida”.
“O homem-do-sonho se substituirá ao novo homem-da-vida... O homem- da-vida age não pensa... Reconhece o homem-do-sonho porque este pensa e sonha.” M.A.

Nunca houve melhor definição para o que fazemos diariamente: essa luta maniqueísta em se deixar dominar pelo conformismo da vida seca ou pela doce esperança de Parságada.

Desde seu próprio título, o romance revela seu traço instigante, mas ao mesmo tempo delicado.

Todos nós estudamos que Amar é um verbo transitivo direto. O que pressupõe um objeto e um sujeito nesse ato.

“V. t. d.
1. Ter amor a; querer muito bem a; sentir ternura ou paixão por: "Amo-te, é certo; adoro-te, confesso" (Humberto de Campos, Poesias Completas, p. 54); "Goethe amou Roma como artista e não como sábio." (Afonso Arinos de Melo Franco, Amor a Roma, p. 24); "O poeta Daniel amava em Francisca tudo: o coração, a beleza, a mocidade, a inocência e até o nome." (Machado de Assis, Contos Recolhidos, p. 13).
2. Ter afeição, dedicação ou devoção a; prezar: amar a Deus; amar o próximo.
3. Sentir prazer em; apreciar muito, gostar de: Ama a vida ao ar livre; "Amo a grandeza misteriosa e vasta" (Antero de Quental, Sonetos, p. 73).
4. Praticar, realizar o amor físico com; possuir.
5. Ant. Desejar, querer.
6. Ant. Preferir, escolher”

Entretanto, para que o leitor fique mais confuso, eis que o texto é intitulado um idílio, que é um pequeno romance que tem uma forma singela e doce de amor recíproco.

De uma sagacidade admirável, Mário sintetiza todo seu romance nesse jogo aparentemente contraditório.

Concordo com o autor, o amor no fundo é um ato intransitivo, é um estar em si mesmo, um ensimesmamento. Pode até parecer egoísta, individualista, mas não amamos o objeto, simplesmente amamos... Nem sempre recíproco, nem sempre feliz, mas não podemos parar o processo, simplesmente, amar porque amamos, um verbo intransitivo.

Há um trecho do livro que me encantou particularmente:

“Se você ama, ou por outra se já deseja no amor, pronuncie baixinho o nome desejado... Esse ou essa que você ama, se torna assim maior, mais poderoso e se apodera de você. Homens, mulheres, fortes, fracos... Se apodera.”


Essa é a realidade é você que alimenta esse amor pelo outro, é o próprio sentimento que se apodera de você.

Ao mesmo tempo, devota-se o amado...

Você, caro único leitor amigo, já está arrancando os cabelos a pensar que sou totalmente incoerente e que nada do que escrevo faz sentido. Disso tiro duas conclusões, a primeira que você nunca se apaixonou, e a segunda, cito Andrade:

“... neste mundo misturado quem concorda consigo mesmo! Somos misturas incompletas, assustadoras incoerências... Não existe mais uma única pessoa inteira neste mundo e nada mais somos que discórdia e complicação”.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Paris, Je T'Aime


Nacionalidade: Liechtenstein / Suiça / Alemanha / França, 2006.

Assisti a esse filme e adorei. São vários curtas metragens de diferentes diretores que falam de amor em Paris ou amor por Paris. Dois apenas me pareceram enfadonhos, mas não conseguiram abalar o encatamento do filme, muito menos de Paris.

Como alguns dizem: "O meu país é minha pátria, mas Paris é meu Lar..."

Recomento muito.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Hurricane




Às vezes, gosto de não acreditar em coincidências. Essa órbita inexplicável que movimenta o universo. Situações escolhem você. Hoje, lembrava do discurso do Martin Luther King, postado abaixo. Não sei por qual razão, mas pensei no dia quando ainda criança ouvi esse discurso. Como aquelas palavras me tocaram, me fizeram desejar ser a mudança que quero ver no mundo, como já dizia Gandhi.

Então, quase sem querer assisti, sem muitas pretensões e mais por falta de opções, ao filme “Hurricane”, apesar da originalidade não ser marcante, ainda me toco por histórias de fórmulas simples e essência verdadeira. Mesmo que sejam e devam ser em certa medida previsíveis.

Hurricane - Bob Dylan

(…)
Yes here comes the story of the Hurricane
The man the authorities came to blame
For something that he never done
Put in a prison cell but one time he could-a been
The champion of the world.
(…)

An innocent man in a living hell
That's the story of the Hurricane
But it won't be over till they clear his name
And give him back the time he's done
Put him in a prison cell but one time he could-a been
The champion of the world

Hurricane - O Furacão (1999)
Direção: Norman Jewison
Elenco:
Denzel Washington(Rubin "Hurricane" Carter)
Vicellous Reon Shannon (Lesra Martin)
Deborah Unger (Lisa Peters)
Liev Schreiber (Sam Chaiton)
John Hannah (Terry Swinton)
Dan Hedaya (Detetive Vincent Della Pesca)
Debbi Morgan (Mae Thelma)

Sinopse: Em junho de 1966, Rubin "Hurricane" Carter era um forte candidato ao título mundial de boxe. Entretanto, os sonhos de Carter vão por água abaixo quando três pessoas são assassinadas num bar em Nova Jersey. Indo para casa em seu carro e passando perto do local do crime, Carter é erroneamente preso como um dos assassinos e condenado à prisão perpétua. Anos mais tarde, Carter publica um memorial, chamado "The 16th round", em que conta todo o caso. O livro inspira um adolescente do Brooklyn e três ativistas canadenses a juntarem forças com Carter para lutar por sua inocência.
- Recebeu uma indicação ao Oscar, de Melhor Ator (Denzel Washington).
- Venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator (Denzel Washington) e foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme em Drama e Melhor Diretor.
- Ganhou o Urso de Ouro de Melhor Ator (Denzel Washington) e o Prêmio do Júri no Festival de Berlim.

domingo, junho 19, 2005

A Arte da Felicidade

“O propósito da nossa vida é buscar a felicidade”.

Essa é uma frase do Dalai Lama, mas que casa perfeitamente com o que eu sempre acreditei: que a gente vem ao mundo é para ser feliz, e agora acho que estou começando uma fase que amadureci o suficiente para achar um meio de efetivar isso.

Realmente acredito que todos temos direito à felicidade, e que pessoas felizes contribuem muito mais para a sociedade e desfrutam muito mais da interação com o mundo que cada um de nós traz dentro de si.

Mas até aí é tudo muito lindo, mas não oferece nenhum meio para a realização disso. Entretanto, o Dalai Lama disse a coisa mais simples e verdadeira sobre como ser feliz: deve-se identificar os fatores que levam a felicidade e aqueles que levam ao sofrimento, e depois passar a eliminar gradativamente os fatores que levam ao sofrimento e cultivar os que conduzem a felicidade.

É exatamente isso que adotei para minha vida, e mesmo nos momentos que estou triste penso nisso, e tento aplica-lo, e só por isso já me sinto um ser humano um pouco melhor e mais feliz.

Desse caminho para a felicidade percebe-se a coisa mais básica da vida: a felicidade só depende da gente, a felicidade é determinada mais de como percebemos a nossa situação do que de fatores externos e da satisfação que sentimos com o que temos.

O que parece tão óbvio não é facilmente aplicável já que passamos toda a vida cultivando estereótipos, como o de que existirá um messias que virá nos salvar e fará a humanidade livre e feliz, ou de que somos incompletos e que há uma metade em algum lugar que nos fará felizes para sempre, ou de que a riqueza e o sucesso fazem as pessoas felizes, entre outros.

Isso apenas reflete que não nos preparamos para sermos felizes, mas para sermos frustrados. Já que depois da euforia inicial que certos fatores externos trazem, voltamos a sermos as mesmas pessoas e com o mesmo nível de felicidade. E quem não conhece alguém que tem tudo o que a nossa sociedade estipula que seria felicidade e é infeliz e deprimido?

Entretanto, o que é a chave fundamental é cultivar a qualidade mental e a estabilidade interna. Pois não importa quais sejam as condições ou os meios externos que seriam necessários a felicidade, eles nunca nos darão a felicidade que buscamos se não tivermos a capacidade de sermos felizes internamente. Mas do contrário com a qualidade interior e sem os recursos externos que normalmente seriam considerados pré-requisitos a felicidade, pode-se ter uma vida feliz e prazerosa.

Mas alcançar a felicidade não é algo fácil, já que não é fácil cultivar estados mentais positivos e romper com os pensamentos que nos prejudicam. Mas a conscientização da necessidade de tentar faze-lo, e o próprio processo de aprendizado vai nos tornando mais capazes de sermos felizes. Com isso quando as frustrações, os problemas e os maus sentimentos aflorem, poderemos lidar melhor com eles, e que estes movimentem a superfície, mas não atinja as nossas raízes.

Tudo isso pode ser até utópico, e é, mas sem sonhos e metas a gente não sai do lugar, e estou conseguindo evoluir em coisas pontuais na minha vida ao tentar romper com o ciclo do mau estado mental. E hoje eu posso dizer que sou mais feliz que fui ontem, e que amanhã me esforçarei para aprender a ser mais feliz do que sou hoje.

domingo, maio 29, 2005

Rapsódia em Agosto (1991)


Este filme é muito bom. O filme mais representativo sobre a Segunda Guerra que já vi, sob uma perspectiva que contrapõe as visões dos americanos e dos japoneses sobre o terror que ocorreu em Nagaski e Hiroshima, mostrando o outro lado da história que nós ocidentais pouco sabemos, mas essencialmente é um filme sobre pessoas, e é neste sentido que se aproxima os dois povos.

Lançado em 1991, Rapsódia em Agosto foi um trabalho de Akira Kurosawa que acabou servindo como reconciliador entre o cineasta e o público e crítica japoneses.
Kurosawa toca em uma ferida antiga: o trauma intransponível do ataque nuclear norte-americano os cidades de Nagasaki e Hiroshima, em agosto de 1945.
O diretor apresenta uma reflexão sobre o choque entre o presente e o passado, representado por uma sobrevivente de Nagasaki, que é convidada por parentes americanos a fazer uma viagem ao Havaí.
Enquanto ela vê o convite como uma recordação de toda a desgraça que viu e passou, seus netos ficam eufóricos. Como acontece aqui no Brasil também, os garotos se "fantasiam" com roupas dos EUA, só querem saber da cultura americana, entre outras coisas.
Para mostrar seu repúdio pela violência inata do ser humano, Kurosawa abusa das metáforas. Rapsódia em Agosto, sem a menor dúvida, é um dos filmes mais sensíveis e tocantes sobre a segunda Guerra Mundial.
Sem ser falsamente cult, eu recomendo que você caro único leitor amigo assita aos filmes do Kurosawa, uns dos cineastas mais sensíveis do século XX.
Posted by Hello

domingo, maio 22, 2005

Livro da semana: AMOR É PROSA SEXO É POESIA


AMOR É PROSA SEXO É POESIA

Sinopse:
Os textos de Arnaldo Jabor têm o poder de despertar, inquietar, polemizar. Ácidos, líricos, deliciosamente vorazes, estão sempre sintonizados com os assuntos que mexem com a vida dos brasileiros e brasileiras. 'Amor é prosa, sexo é poesia' reúne suas melhores crônicas sobre nossas obsessões mais íntimas; sexo e amor, família, mulheres. São 36 textos em que Jabor anuncia sem pudores sua fome de beleza em tudo; na vida, na política, no amor, no sexo. E será assim, exaltado, rodriguiano, que vai admitir um dos maiores medos; "os abismos das mulheres são venenosos, o seu mistério nos mata." A percepção de Jabor sobre linhas intangíveis, como a que separa o amor do sexo, costuma ser tão afiada quanto seus discursos anti-Bush. Mais do que o poder, ele aposta, o amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver.
Esse é um dos textos do livro. É excelente, bem escrito, eloqüente, e acima de tudo humano
Amores Mal Resolvidos...
Arnaldo Jabor
Olhe para um lugar onde tenha muita gente, uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade, metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo. Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte esses rostos anônimos tem um Amor Mal Resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação. Por que isso acontece ??? Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto, acho que as pessoas não gastam seu amor, isso mesmo, os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba, é mentira dizer que não, uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais, mas um dia acaba e se transforma em outra coisa como lembrança, amizade, parceira, parentesco e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim. Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote, o amor tem que ser vivenciado, platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade, é preciso passar por todas etapas : atração, paixão, amor, convivência, amizade, tédio e fim. Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores. Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste seu amor, usufrua-o até o fim, enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize, sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo, isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.

Posted by Hello

sábado, maio 14, 2005

Livro da Semana


Essa semana estava vendo algum desses programas genéricos de entrevistas com um grupo de pessoas que não tem nada a ver, mas que entrevistam outras. Daí tinha uma jornalista sendo entrevistada, a Milly Lacombe, que é da revista TPM, que devo reconhecer que li essa revista umas 2 vezes na vida só.

O que eu achei interessante que ela escreveu um livro, Segredos de uma lésbica para homens, para dar dicas aos homens, na hora achei meio esdrúxulo uma lésbica dando conselhos para homens. Depois ao saber um pouco do livro, achei um máximo!

Então, mesmo sem ter lido, vou recomendar aos homens de plantão, considerando que a maioria dos homens (Coitados!) precisa de uma dicas para conquistar uma mulher. Vai dizer que tem muito homem por aí sem noção. Não sei qual a dificuldade em usar o básico sem clichê: "Oi tudo bem? Eu sou fulano... Qual é o seu nome? Está gostando da festa? Quer dançar? Você é muito bonita! (nem que seja um exagero). O que você faz da vida?". Claro pergunta e mostra interesse para ouvir. Porque pior do que cantada, tipo “você machucou quando caiu do seu céu?", é um cara que não ouvi o que a mulher fala.

Posted by Hello